Aos 17 anos o francês, aprendiz funâmbulo*, Phillipe Petit, está numa consulta de dentista em França quando lê numa revista um artigo sobre a construção das que viriam a ser as Twin Towers de Nova Iorque. Imediatamente percebe que o objectivo da sua vida é atravessar em cima de um arame o espaço entre as duas torres. Esse sonho impossível viria a realizá-lo 8 anos e muito trabalho de preparação depois, surpreendendo a população de Nova Iorque e do mundo na manhã de 7 de Agosto de 1974 com um feito tão belo quanto extraordinário. De notar que toda a preparação do acto foi clandestina e realizada à socapa da polícia e segurança do WTC por uma meia dúzia de homens.
Vi ontem o documentário Man on Wire de 2008 realizado por James Marsh que relata este acontecimento e conta com a participação de todos os intervenientes. Senti-me siderado: como é possível realizar o impossível? Sabemos que isto por vezes acontece mas ver isso acontecer "à nossa frente" deixa-nos extasiados. Incrível o depoimento de um polícia chamado ao local para deter o artista que no céu se divertia com a polícia a aproximar-se das torres e a voltar novamente para o centro do arame; qualquer coisa como isto: "Estava a ver uma coisa que nunca mais ninguém veria no mundo. Uma coisa vista uma única vez na vida".
Paul Auster de quem tenho ideia de já ter lido textos sobre Petit e que prefaciou o Tratado de Funambulismo do próprio Petit, diz em dada altura depois da catástrofe do 11 de Setembro:
“One year after the nightmares of September 11, how good to remember that morning in 1974 when a young man gave New York a gift of astonishing, indelible beauty."
O único senão deste documentário é precisamente este: o 9/11 é omitido. Curiosamente o meu mui amado Don DeLillo inspira-se em Petit para um personagem em O Homem em Queda que se desenvolve em torno deste que considero o acontecimento mais avassalador da minha contemporaneidade. Curiosa esta improvável ligação entre o acontecimento que destrói o que constituiu o sonho realizado de um homem e abala a humanidade inteira.
Qual o tamanho de um sonho?
Para uns uma mulher ou um homem, para outros uma família, uma viagem, uma conta recheada no banco. Para Petit o tamanho do seu sonho eram os 415 metros de altura das torres que implicavam a grande probabilidade de morrer ao realizar esse sonho. "Se eu morrer ao realizar o meu sonho, que bela será a minha morte".
* Funâmbulo: aquele que anda na corda bamba ou o artista que caminha ou dança sobre uma corda (ou arame). Não sabia que era este o significado real de funâmbulo. Pensei sempre que era o fulano que vaguea pelas ruas de uma cidade. Mas que bela palavra esta: funâmbulo.
Vi ontem o documentário Man on Wire de 2008 realizado por James Marsh que relata este acontecimento e conta com a participação de todos os intervenientes. Senti-me siderado: como é possível realizar o impossível? Sabemos que isto por vezes acontece mas ver isso acontecer "à nossa frente" deixa-nos extasiados. Incrível o depoimento de um polícia chamado ao local para deter o artista que no céu se divertia com a polícia a aproximar-se das torres e a voltar novamente para o centro do arame; qualquer coisa como isto: "Estava a ver uma coisa que nunca mais ninguém veria no mundo. Uma coisa vista uma única vez na vida".
Paul Auster de quem tenho ideia de já ter lido textos sobre Petit e que prefaciou o Tratado de Funambulismo do próprio Petit, diz em dada altura depois da catástrofe do 11 de Setembro:
“One year after the nightmares of September 11, how good to remember that morning in 1974 when a young man gave New York a gift of astonishing, indelible beauty."
O único senão deste documentário é precisamente este: o 9/11 é omitido. Curiosamente o meu mui amado Don DeLillo inspira-se em Petit para um personagem em O Homem em Queda que se desenvolve em torno deste que considero o acontecimento mais avassalador da minha contemporaneidade. Curiosa esta improvável ligação entre o acontecimento que destrói o que constituiu o sonho realizado de um homem e abala a humanidade inteira.
Qual o tamanho de um sonho?
Para uns uma mulher ou um homem, para outros uma família, uma viagem, uma conta recheada no banco. Para Petit o tamanho do seu sonho eram os 415 metros de altura das torres que implicavam a grande probabilidade de morrer ao realizar esse sonho. "Se eu morrer ao realizar o meu sonho, que bela será a minha morte".
* Funâmbulo: aquele que anda na corda bamba ou o artista que caminha ou dança sobre uma corda (ou arame). Não sabia que era este o significado real de funâmbulo. Pensei sempre que era o fulano que vaguea pelas ruas de uma cidade. Mas que bela palavra esta: funâmbulo.

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