Li pela primeira vez um romance de Don DeLillo (Os Nomes, 1982) há coisa de 15 anos e tenho-o desde então como o meu escritor preferido desde a viragem do século e até aos nossos dias. De então para cá seguiram-se Ruído Branco (85), Libra (88), Mao II (91), Submundo (97), e já neste século, O Corpo Enquanto Arte (2001), Cosmópolis (03), O Homem em Queda (07) e o último de 2010 Ponto Ômega.
Se é bem verdade que foram muito poucos os escritores contemporâneos que li, é também verdade que poucos foram os que senti vontade de ler... e isto nada quer dizer, evidentemente. O meu próprio espectro é limitado.
Não é nada fácil perceber se um escritor "vai ficar" ou não. Tenho andado a ler um livrinho de ensaios literários que Maurice Blanchot publicou em 1959 e, se pensarmos que por essa altura já analisava a Recherche de Proust, Artaud, Casares, Borges, Broch, Musil, Kafka, Hesse, Becket, etc..., ou seja, escritores com obras maiores nos últimos 30 a 40 anos; pergunto-me que escritores nestes últimos 40 anos poderemos colocar num patamar idêntico. Decerto existem mas não será fácil identificá-los.
Ora, não sendo ainda por cima um escritor universalista mas antes um escritor global, isto é, as suas temáticas refletem um tempo e um espaço que sendo global no sentido em que o é o mundo nos dias de hoje, precisamente por isso mesmo não é universal, ou seja, numa época diferente, será necessário contextualizarmos para podermos perceber a sua obra; ora então por isto mesmo, não estou certo que o DeLillo resista. O tempo o dirá.
Li Cosmópolis há uns 8 anos e sei que na altura considerei seminais pelo menos os dois primeiros terços do livro: um tipo da alta finança atravessa Nova Iorque na sua limusina para ir cortar o cabelo. No entretanto deversos acontecimentos dão corpo à história. O que mais me fascinou na altura foi a incrível lucidez com que DeLillo analisa a realidade. Diria mesmo uma hiper-realidade que nos abre a cortina sobre o futuro. O certo é que, 8 anos depois, esta coisa das flutuações dos mercados, a especulação inerente, o efeito que tem na vida de todos nós e que é o pão-nosso-de-cada-dia já lá estava. Dir-me-ão que era coisa que não seria difícil prever. Direi que decerto não, mas não da forma glamourosa como DeLillo a compõe.
As adaptações de livros ao cinema são o que são. Se se limitarem à ilustração falham redondamente. Não estando entre os meus cineastas mais preferidos Cronenberg já demonstrou que consegue pegar num livro e fazer um filme enorme: Crash.
Tantos anos depois o nome DeLillo deixará o espaço de certa forma marginal que ocupa para uma visibilidade incomensuravelmente maior com este filme.
Se é bem verdade que foram muito poucos os escritores contemporâneos que li, é também verdade que poucos foram os que senti vontade de ler... e isto nada quer dizer, evidentemente. O meu próprio espectro é limitado.
Não é nada fácil perceber se um escritor "vai ficar" ou não. Tenho andado a ler um livrinho de ensaios literários que Maurice Blanchot publicou em 1959 e, se pensarmos que por essa altura já analisava a Recherche de Proust, Artaud, Casares, Borges, Broch, Musil, Kafka, Hesse, Becket, etc..., ou seja, escritores com obras maiores nos últimos 30 a 40 anos; pergunto-me que escritores nestes últimos 40 anos poderemos colocar num patamar idêntico. Decerto existem mas não será fácil identificá-los.
Ora, não sendo ainda por cima um escritor universalista mas antes um escritor global, isto é, as suas temáticas refletem um tempo e um espaço que sendo global no sentido em que o é o mundo nos dias de hoje, precisamente por isso mesmo não é universal, ou seja, numa época diferente, será necessário contextualizarmos para podermos perceber a sua obra; ora então por isto mesmo, não estou certo que o DeLillo resista. O tempo o dirá.
Li Cosmópolis há uns 8 anos e sei que na altura considerei seminais pelo menos os dois primeiros terços do livro: um tipo da alta finança atravessa Nova Iorque na sua limusina para ir cortar o cabelo. No entretanto deversos acontecimentos dão corpo à história. O que mais me fascinou na altura foi a incrível lucidez com que DeLillo analisa a realidade. Diria mesmo uma hiper-realidade que nos abre a cortina sobre o futuro. O certo é que, 8 anos depois, esta coisa das flutuações dos mercados, a especulação inerente, o efeito que tem na vida de todos nós e que é o pão-nosso-de-cada-dia já lá estava. Dir-me-ão que era coisa que não seria difícil prever. Direi que decerto não, mas não da forma glamourosa como DeLillo a compõe.
As adaptações de livros ao cinema são o que são. Se se limitarem à ilustração falham redondamente. Não estando entre os meus cineastas mais preferidos Cronenberg já demonstrou que consegue pegar num livro e fazer um filme enorme: Crash.
Tantos anos depois o nome DeLillo deixará o espaço de certa forma marginal que ocupa para uma visibilidade incomensuravelmente maior com este filme.
Actualização do post após visionamento do filme:
Acabei por achar um filme competente, esteticamente interessante que no entanto usa o livro como guião fiel não promovendo uma "leitura" diferente do livro. Por certo, a falta de distanciamento entre uma leitura recente do livro, e o visionamento do filme, impedem-me de ver este além dos diálogos que num e noutro são exactamente os mesmos.
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